
Dois deram em bebedores de bagaço. Quatro foram agricultores. Um foi cornudo, mas um dia deixou-se disso. Um foi pederasta e nunca abandonou o hábito. Um teve o hábito vestido durante quarenta e três anos e despiu-o quando entrou num prostíbulo com a sã intenção de purificar as pobres almas. Outro perdeu o tino na guerra, ainda que alguns digam que já se perdera antes. Aquele lá de cima, matou-se a trabalhar. Dois foram felizes e um terceiro nunca pensou nisso. Houve quatro que partiram os cornos em garraiadas e touradas afins. Um defendia a pena de morte até que lhe nasceu um filho. Dois nunca casaram com mulheres. Aquele nunca se livrou do cheiro a açafrão. Um perdeu a alma no colégio e chegou a adulto já vazio. Um morreu a sonhar que era um pastor na estrada de Damasco. Dois rezavam ao anjo da guarda. Dois tiveram instintos suicidas. Outro, aquele ali à frente, nunca soube conciliar a castidade com a liberdade. Outro viveu sempre com o olhar fixo. E mais não sei.
2 respostas até agora ↓
Branco Leone // Setembro 20, 2006 às 1:34 pm
…e nem é preciso, porque já sabes que chegue.
hammer // Outubro 5, 2006 às 12:39 am
ora… bem aparecido, esta ironia azeda mas refinada fazia falta.