Enquanto lutava contra o desamor e o esquecimento, percorria o caminho que a levaria até ao cemitério. Caiu novo, o noivo, foi breve como a cigarreira do outro. Amaldiçoa, ela, o momento em que não se soube resguardar. Agora erguem-se orfanatos, asilos, hospitais e hospícios. Quem é que a mandou vestir-se de columbina? Quem? Agora, é isto, está reduzida a isto: habitante de asilo em luta contra o desamor e o esquecimento. Se a vida lhe der outra oportunidade, vestir-se-á de alcoólica incestuosa e apaixonada por um trompetista preto. Preto como o da gravura que um dia viu.
3 respostas até agora ↓
Branco Leone // Setembro 19, 2006 às 2:45 am
Vivo dizendo que quando um texto é bom, nem precisa ser compreendido para que gostemos dele e nos impressionemos. Dou como exemplo as locuções em alemão do ator Bruno Ganz em Asas do Desejo, de Wenders. Eu não ouço alemão, que dirá falar ou entender.
Daí, digo: não sei onde este blog vai dar, mas aqui tudo soa bem, sabe bem, como música.
Anátema Device // Setembro 19, 2006 às 10:51 am
Branco Leone, muito agradeço a amabilidade das suas palavras.
Branco Leone // Setembro 20, 2006 às 1:31 pm
Não agradeça. Amabilidade nenhuma, antes — e apenas — verdades.